Não sei se lá farei fotografia, poesia ou folia, não sei.
Não sei se após dez anos ainda terei a mesma coragem, ou o mesmo pulso, pra cruzar parte do mapa brasileiro assim, carregando mochila e violão.
Não sei o que me espera, pouco sei do que espero.
Prefiro não esperar muito e deixar a vida ser leve lá aonde não existe geladeira pra abrir, luz pra acender, telefone pra tocar...
Tomarei a alegria assim como a tristeza e o sol tanto quanto a chuva.
Se levarei casaco, dinheiro, câmera, barraca, canivete, lanterna?
Só de uma coisa sei muito bem:
Levarei comigo este que não é um lugar;
Este que não é físico;
Este que ancora uma presença espiritual imensa e misteriosa;
Este que é o ponto central de onde todas as coisas surgem;
Meu CORAÇÃO.
Este não esquecerei nem por um segundo!
